segunda-feira, 10 de junho de 2013

Coacyaba - O Primeiro Beija-Flor

Cultura
Por: Luana Ozawa



     Os índios do Amazonas acreditavam que as almas dos mortos transformavam-se em borboletas. É por esse motivo que elas voam de flor em flor, alimentando-se e fortalecendo-se com o mais puro néctar, para suportarem a longa viagem até o céu.

     Coacyaba, uma bondosa índia, ficara viúva muito cedo, passando a viver exclusivamente para fazer feliz sua filhinha Guanamby. Todos os dias passeava com a menina pelas campinas de flores, entre pássaros e borboletas. Dessa forma pretendia aliviar  a falta que o esposo lhe fazia. Mesmo assim, angustiada, acabou por falecer.

     Guanamby ficou só e seu único consolo era visitar o túmulo da mãe, implorando que esta a levasse para o céu. De tanta tristeza e solidão, a criança foi enfraquecendo cada vez mais e também morreu. Entretanto sua alma não se tornou borboleta, ficando aprisionada próxima á sepultura da mãe, para assim permanecer ao seu lado.

     Enquanto isso, Coacyaba, em forma de borboleta, voava entre as flores, colhendo sue néctar. Ao aproximar-se da flor onde estava Guanamby, ouviu um choro triste, que logo reconheceu. Mas, como frágil borboleta, não teria forças para libertar a filhinha. Pediu, então, ao Deus Tupã que fizesse dela um pássaro veloz e ágil, que pudesse levar a filha para o céu. Tupã atendeu seu pedido, transformando-a em um beija-flor, podendo, assim, realizar o seu desejo.

     Desde então, quando morre uma criança índia órfã de mãe, sua alma permanece guardada dentro de uma flor, esperando que a mãe, em forma de beija-flor, venha buscá-la, para voarem juntas para o céu, onde estarão eternamente.